sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

SOU ESTA FLOR QUE SE ABRE AGORA PRO MUNDO.

Há um mês atrás, confessei a companheira de minha condição. Foi uma conversa longa, delicada, mas que ela aceitou carinhosamente. Desde então, vivemos em plena harmonia; tendo ela me ajudado e me apoiado até aqui nessa minha transformação.
Ontem passamos juntas, uma tarde muito agradável. Fomos as compras, e mais tarde tomarmos uns chopes no cais da cidade, onde apreciamos um belo entardecer, trocamos confidencias, segredos, juras, e também paqueremos um bocado; por fim, rimos de toda essa situação inusitada que acabou nos envolvendo e nos tornando mais amigas e mais próximas. O que me faz refletir acerca de como os casais poderiam viver mais felizes se as relações se dessem dessa maneira: sem os tabus, sem os grilhões da moral, da religiosidade e da sociedade que teima em nos punir.
Márcia - a mulher que habita agora em mim - tem me ensinado isso; educou meus sentimentos e ensinou-me a olhar o mundo e as pessoas com mais ternura. Também ensinou-me a descobrir-se e amar-se infinitesimamente, partícula por partícula. Não é nenhuma heroína. Só alguem mais humana.
Vivo agora dentro da medida do que sou: livre, leve, solta. Extraordinariamente bela e feminina.
Sou esta flor que se abre agora pro mundo.

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