Potencialmente, este homem falho que existiu em mim ao longo de seus trinta anos, está decretamente morto. A existencia de Marcia, esta mulher do meu interior e que me visita ocasionalmente em periodos longos e curtos, é um fato que não se revoga. Dois corpos não habitam o mesmo espaço da matéria, e isto é um outro fato irrevogável. Portanto, o processo de transformação a que dei inicio, está em curso, e se tudo correr bem essa mulher se firmará para sempre em minha vida, enterrando de vez o homem falho e exterior que representei até aqui.
Fingir que Marcia não existe; que tudo supostamente não passa de uma disfunção de minha sexualidade, é um grande equivoco. Se faz necessário que ELA exista para o meu bem estar fisiológico e espiritual. Marcia me faz feliz e me rejuvenesce. Agrilhoá-la ou confiná-la à obscuridade de meu mais secreto alçapão interior, seria o mesmo que matá-la, e matando-a, estaria matando a mim mesmo. Não há alternativa para este homem falho, portanto. Ele está com seus dias contados. A mulher que renasce nele será bem acolhida e possivelmente o fará feliz, como ja se sinte quando ás vezes ela emerge e passa a fazer parte de sua cotidianidade clandestina.
Olho os dias e as noites. Não escondo mais minha tristeza e nem minha angústia; com a ternura da brisa, soprei a dor para bem longe do meu centro. Solto-me do abraço, saio ás ruas. No céu, já clareando, desenha-se, finitamente, a lua.
A lua tem duas noites de idade. Eu, apenas uma.
Nenhum comentário:
Postar um comentário