“Perto do Coração Selvagem” – Clarice Lispector (1925-1977)
“Perto do Coração Selvagem” é o livro de estréia dessa escritora maravilhosa. Ela o escreveu quanto tinha dezoito pra dezenove anos de idade.
A escrita de Clarice Lispector é uma escrita introspectiva. Situa-se numa confluências de paradigmas em que a narradora nos envolve e nos põe em tensão com seus personagens e tramas, do inicio ao fim. Penso que, depois de Jane Austen, (escritora americana do século XVII autora dos livros “Razão e Sensibilidade” e “Orgulho e Preconceito) , nenhuma outra escritora descreveu com tanta maestria e lirismo as angustias, os anseios, as alegrias e tristezas que habitam no interior feminino. Ler Clarice é se ler interiormente. É se descobrir por dentro. Daí a razão do livro assumir tanta importância assim.
Outro escritor que conhece bem a alma feminina e a enaltece com todo seu vigor lírico, é o escritor Uruguaio Eduardo Galeano. “Mulheres” é um livro cheio de breves narrativas históricas e heróicas protagonizadas somente por mulheres que sofreram opressão e exploração na América Latina. O livro é uma doce homenagem às mulheres célebres e anônimas que compartilharam o dia-a-dia de nossa história.
“Trecho do livro Perto do Coração Selvagem
(...) “Novamente, no meio do raciocínio inútil, veio-lhe um cansaço, um sentimento de queda. Orar, orar. Ajoelhar-se diante de Deus e pedir. O quê? A absolvição? Uma palavra tão larga, tão cheia de sentidos. Não era culpada – ou era, de quê? Sabia que sim, porém, continuou com o pensamento – não era culpada, mas como gostaria de receber a absolvição. Sobre a testa, o dedo largo e gordo de Deus, abençoando-a como um bom pai, um pai feito de terra e de mundo, contendo tudo, tudo, sem deixar de possuir sem uma partícula sequer que mais tarde pudesse lhe dizer: sim, mas eu não lhe perdoei Cessaria então aquela acusação muda que todas as coisas aconchegavam contra ela...
“Tracey Hill era menina num povoado de Connecticut, e se divertia com diversões próprias de sua idade, como qualquer outro doce anjinho de Deus no estado de Connecticut ou em qualquer outro lugar deste planeta.
Um dia, junto a seus companheiros de escola, Tracey se pôs a atirar fósfotos acesos num formigueiro. Todos desfrutaram daquele sadio entretenimento infantil; Tracey, porém, ficou impressionada com uma coisa que os outros não viram, ou fizeram como se não vissem, mas que a deixou paralisada e deixou nela, para sempre, um sinal na memória: frente ao fogo, frente ao perigo, as formigas separavam-se em casais e assim de duas em duas, bem juntinhas, esperavam a morte.
Do livro “Mulheres” (Eduardo Galeano)
“Perto do Coração Selvagem” é o livro de estréia dessa escritora maravilhosa. Ela o escreveu quanto tinha dezoito pra dezenove anos de idade.
A escrita de Clarice Lispector é uma escrita introspectiva. Situa-se numa confluências de paradigmas em que a narradora nos envolve e nos põe em tensão com seus personagens e tramas, do inicio ao fim. Penso que, depois de Jane Austen, (escritora americana do século XVII autora dos livros “Razão e Sensibilidade” e “Orgulho e Preconceito) , nenhuma outra escritora descreveu com tanta maestria e lirismo as angustias, os anseios, as alegrias e tristezas que habitam no interior feminino. Ler Clarice é se ler interiormente. É se descobrir por dentro. Daí a razão do livro assumir tanta importância assim.
Outro escritor que conhece bem a alma feminina e a enaltece com todo seu vigor lírico, é o escritor Uruguaio Eduardo Galeano. “Mulheres” é um livro cheio de breves narrativas históricas e heróicas protagonizadas somente por mulheres que sofreram opressão e exploração na América Latina. O livro é uma doce homenagem às mulheres célebres e anônimas que compartilharam o dia-a-dia de nossa história.
“Trecho do livro Perto do Coração Selvagem
(...) “Novamente, no meio do raciocínio inútil, veio-lhe um cansaço, um sentimento de queda. Orar, orar. Ajoelhar-se diante de Deus e pedir. O quê? A absolvição? Uma palavra tão larga, tão cheia de sentidos. Não era culpada – ou era, de quê? Sabia que sim, porém, continuou com o pensamento – não era culpada, mas como gostaria de receber a absolvição. Sobre a testa, o dedo largo e gordo de Deus, abençoando-a como um bom pai, um pai feito de terra e de mundo, contendo tudo, tudo, sem deixar de possuir sem uma partícula sequer que mais tarde pudesse lhe dizer: sim, mas eu não lhe perdoei Cessaria então aquela acusação muda que todas as coisas aconchegavam contra ela...
“Tracey Hill era menina num povoado de Connecticut, e se divertia com diversões próprias de sua idade, como qualquer outro doce anjinho de Deus no estado de Connecticut ou em qualquer outro lugar deste planeta.
Um dia, junto a seus companheiros de escola, Tracey se pôs a atirar fósfotos acesos num formigueiro. Todos desfrutaram daquele sadio entretenimento infantil; Tracey, porém, ficou impressionada com uma coisa que os outros não viram, ou fizeram como se não vissem, mas que a deixou paralisada e deixou nela, para sempre, um sinal na memória: frente ao fogo, frente ao perigo, as formigas separavam-se em casais e assim de duas em duas, bem juntinhas, esperavam a morte.
Do livro “Mulheres” (Eduardo Galeano)
Essa é a minha dica. Uma boa leitura A todos!!
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