No dia que antecedeu o tal encontro, avaliei e reavaliei sob diversos ângulos, a possibilidade de vir a me tornar uma amante, o que de repente, me valeria como experiencia, e que talvez não fosse tão ilícito assim. Mas isso, é claro, dependeria e muito de meu futuro e pretenso amante. Pois que no fundo, não nasci para ser a outra. Nasci para ser valorizada e amada em primeira estância.
Levei a questão á companheira Selma, quando tomávamos juntas um cafezinho numa das muitas confeitarias espalhadas da avenida Sete de Setembro. Contei-lhe de meu pequeno drama e da idéia de desistir do encontro, no que ela encorajou-me a não desistir. Que eu fosse, sim, ao encontro; que tudo de repente poderia resultar numa aventura doce e prazerosa. Longe de mim agora, envolta em brumas leves de pensamentos ardis, misturadas à fumaça do delicioso café que me embassava de leve os óculos, cogitei definitivamente na hípotese de que tudo correria bem, e que estava cozendo um bicho de sete cabeças dentro de mim.
No dia seguinte, resoluta, fui ao encontro dele. Selma ajudou-me nos preparos de minha montagem, escolhendo uma roupinha bem sensual que consistia em uma blusinha de tecido fino, de alcinha, um shortinho jeans, não muito colado ao corpo, os saltos altos, vermelhos e sedutores, minha inseparável peruquinha morena-ruiva que assentava-me tão bem à cabeça, moldando-me o rosto moreno e redondo, as unhas bem feitas e esmaltadas, e alguns acessórios de praxe, como minhas pulseiras coloridas, e um discreto cordãozinho em volta do pescoço que um dia escolhemos juntas numa bijuteria. Pronto! Estava ao meu ver, diante do espelho, pecadoramente linda e sensual para o encontro com o sujeito cujo rosto eu nunca vira, e que só ali então, me dera conta disso. O que para mim não faria nenhuma diferença. O essencial é que ele mantivesse os galanteios tão bem traduzidos em formas de palavras que eu sorvia saborosamente ao checar as as suas postagens. Mas ainda sim, havia o fato dele ser casado, o que me causava extremo desânimo, fazendo-me reter os passos, tomada que era de dúvidas e receios quando me dirigia ao Hotel Natália, onde ele já me esperava. Pois que aventuras assim - por mais que nunca as tivesse vivenciado - são efêmeras e quase sempre resultam em profundas feridas incicatrizantes no corpo e na alma. Ainda sim, arrisquei. A vida não é correr riscos? Jogar com o invisível? Ceder aos impulsos dominadores da razão e dos sentimentos? Então eu fui. Firme e resoluta; naquela tarde nublada e agradável de novembro, ao enocntro de meu futuro amante...
continua...
Nenhum comentário:
Postar um comentário